segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

“Qualquer um pode dominar um sofrimento, exceto o que o sente.” (William Shakespeare)

Engraçado, eu sempre tentei disfarçar a doença que me acomete há 15 anos porque sofri preconceito por parte das pessoas que me rodeavam: família, amigos, enfim dos poucos que sabiam. Sempre me consideraram uma pessoa forte sem direito a fraquejar jamais, mas esqueceram que também sou de carne e osso, e que na minha veia também corre sangue e que no meu peito tem um coração e não uma pedra de gelo.
Fui vitima de pré-julgamentos e ainda sou por isso resolvi abrir o jogo e contar tudo.
Uns diziam que era "frescura", outros que eu era (ou ainda sou) metida, madame, mimada, louca, entre outros adjetivos nada animadores.
O que ninguém nunca soube é que na verdade eu nasci com uma doença que até hoje ninguém conseguiu me dizer se é congênita, hereditária, ou sei lá o que... mas a verdade é que desde que eu (como dizem) me entendo por gente, sou uma pessoa rodeada de pessoas e solitária. Uma pessoa com um enorme vazio que não consegue descobrir a razão. Alguém que sorri para disfarçar a enorme tristeza que me envolve cada dia, cada segundo da minha vida e que nos últimos 15 anos me consumiu muito.
Os médicos me dizem que eu sofro de DEPRESSÃO GRAVE de forma endógena, ou seja, de dentro pra fora. Não são razões externas que causam a depressão e sim algo que está dentro de mim.
Até o diabo já levou a culpa. Cansei de ouvir que isso é espiritual e isso tem atrapalhado meu tratamento e minha vida mais ainda.
Então, quem não me conhece me taxa de várias coisas, mas não to nem aí.
Só que é uma dor incalculável, e que só dói mesmo em quem sente. É um sofrimento solitário demais pela falta de compreensão e preconceito por parte das pessoas.
É isso aí... nunca julgue uma pessoa pela moldura, a verdadeira obra de arte está na tela e você tem que conhecer de arte para saber interpretá-la.